sexta-feira, 19 de abril de 2013

Natalie Pérez e Peter Lanzani: o amor é mais forte


Ela é figura do gênero musical, e ele, depois dos Teen Angels, é um sex symbol. Os segredos do amor entre Camila e o padre Ladislao.

Quando em 1984 se estreava o filme “Camila”, nem Natalie Pérez nem Peter Lanzani haviam nascido ainda. Hoje, a dupla é protagonista da versão musical da trágica história de amor entre Camila O’Gorman e o padre Ladislao Gutiérrez ocorrida em 1848, que estreou anteontem no Lola Membrives.


- Como encararam estes personagens reais, mas tão longes no tempo?
Lanzani: No meu caso, é a primeira vez que eu interpreto um personagem de época, e me pareceu um desafio interessante. Conhecia a história porque a estudei na escola, e me pareceu um flash. Quando me propuseram ser parte da obra, me pareceu incrível.

Pérez: Eu também conhecia a história pela escola, mas nunca havia visto o filme, assim que quando essa proposta chegou até mim, devorei todo o material sobre o tema e me apaixonei. O mais complexo foi se meter em outra época, voltar na história. Tivemos que cuidar de muitos detalhes que são de agora para que não se misturem. O vestuário, que é divino, ajuda porque te faz manter meio metro de distância, pelo menos. E nos ajudaram muito o diretor, Fabián Núñez, e a assistente Dalia Elnecave.

Lanzani: Tivemos que incorporar posturas, atitudes que já não se usam mais e eram comuns então. Aí aproveitamos para brincar muito, que é o que nós atores mais gostamos.


- Os protagonistas reais eram muito jovens, como vocês. Se identificaram em alguma coisa com eles?
Pérez: Me emociona muito interpretar um personagem verídico, me comove saber que existiu realmente. Me meti tanto na história que, as vezes, ensaiando me sentia Camila. É incrível a coragem que tinha essa mulher. O que fizeram sendo tão jovens foi muito forte. Se animaram e se jogaram a fundo, mas eu acredito que não imaginaram nunca que poderiam chegar a matá-los. Hoje, qualquer história proibida, não chega a tanto.

Lanzani: Eles foram muito audaciosos, mas depois as circunstâncias os empurraram e terminaram encurralados, seguramente não esperavam esse final.

Pérez: Quando está apaixonado, você se arrisca e sente que nunca vai te acontecer nada. Mas evidentemente Juan Manuel de Rosas não pensava o mesmo.

Lanzani: Acredito que Rosas toma essa decisão como uma demonstração de seu poder em um momento político complicado. E eles é que sofreram.


- Alguma vez viveram um paixão como a de Camila e Ladislao?
Pérez: Sim, mas não tanto...

Lanzani: Sim, claro. Eu trato de não pensar tanto quando me apaixono. Sou mais de colocar o coração, prefiro me jogar mesmo que depois eu sofra, melhor que ficar com a dúvida.

Pérez: Eu já me joguei por amor alguma vez, mas ainda não sinto que tenha vivido uma história tão forte. Me jogaria por amor, mas não acredito que chegaria a dar a vida. Isso, hoje em dia, já não acontece.

Lanzani: É que eles não tiveram opção, foram levados a isso.

Pérez: Quando os dois estão presos, se queixam de que não fizeram nada mal, é tremendo.

Lanzani: Eu sinto que ele tinha tanto para dizer e podia fazer tão pouco nesse momento final...

Pérez: O melhor é que morreram juntos, porque se algum dos dois tivesse ficado vivo, teria sido horrível a vida para aquele que ficasse.


- É uma história como a de Romeu e Julieta.

Pérez: É que para mim, é a história de Romeu e Julieta.

Lanzani: Sim, totalmente, mas neste caso é mais forte porque não é literatura.


- As histórias de amor com finais felizes não costumam transcender.

Lanzani: É que quando vemos uma história assim, ela te pega, e você se pergunta sobre sua própria história. Me encantou que o diretor Fabian Núñez tenha colocado textos reais que encontrou durante sua investigação. Isso pega mais ainda. A história é muito forte, mas ela é colocada cuidadosamente, não há golpes baixos.


- Vocês são seguidos pelo público adolescente, como acreditam que vão receber essa história?

Pérez: Para mim está ótimo, primeiro que se somem ao teatro musical e, desta vez, ao teatro com história, feita desta maneira, divertida, com um elenco genial. Acredito que vão gostar porque os protagonistas são quase adolescentes e ainda que sejam de outra época, o amor é universal e atemporal.

Lanzani: Concordo. Além disso, muitas garotas me escrevem pelo Twitter me contando que se chamam Camila por causa do filme.


- É inevitável pensar no filme, esse antecedente pesa?

Pérez: O filme me pareceu espetacular e Susú Pecoraro, uma gênia. Mas sinto mais responsabilidade pela Camila real.

Lanzani: Eu confio no que nós podemos fazer junto a essa equipe.


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