Ela é figura do gênero musical, e ele, depois dos Teen
Angels, é um sex symbol. Os segredos do amor entre Camila e o padre Ladislao.
Quando em 1984 se estreava o filme “Camila”, nem Natalie
Pérez nem Peter Lanzani haviam nascido ainda. Hoje, a dupla é protagonista da
versão musical da trágica história de amor entre Camila O’Gorman e o padre
Ladislao Gutiérrez ocorrida em 1848, que estreou anteontem no Lola
Membrives.
- Como encararam
estes personagens reais, mas tão longes no tempo?
Lanzani: No meu caso, é a primeira vez que eu interpreto um
personagem de época, e me pareceu um desafio interessante. Conhecia a história
porque a estudei na escola, e me pareceu um
flash. Quando me propuseram ser parte da obra, me pareceu incrível.
Pérez: Eu também conhecia a história pela escola, mas nunca
havia visto o filme, assim que quando essa proposta chegou até mim, devorei
todo o material sobre o tema e me apaixonei. O mais complexo foi se meter em
outra época, voltar na história. Tivemos que cuidar de muitos detalhes que são
de agora para que não se misturem. O vestuário, que é divino, ajuda porque te
faz manter meio metro de distância, pelo menos. E nos ajudaram muito o diretor,
Fabián Núñez, e a assistente Dalia Elnecave.
Lanzani: Tivemos que incorporar posturas, atitudes que já não
se usam mais e eram comuns então. Aí aproveitamos para brincar muito, que é o
que nós atores mais gostamos.
- Os protagonistas
reais eram muito jovens, como vocês. Se identificaram em alguma coisa com eles?
Pérez: Me emociona muito interpretar um personagem verídico, me
comove saber que existiu realmente. Me meti tanto na história que, as vezes,
ensaiando me sentia Camila. É incrível a coragem que tinha essa mulher. O que
fizeram sendo tão jovens foi muito forte. Se animaram e se jogaram a fundo, mas
eu acredito que não imaginaram nunca que poderiam chegar a matá-los. Hoje, qualquer
história proibida, não chega a tanto.
Lanzani: Eles foram muito audaciosos, mas depois as circunstâncias
os empurraram e terminaram encurralados, seguramente não esperavam esse final.
Pérez: Quando está apaixonado, você se arrisca e sente que
nunca vai te acontecer nada. Mas evidentemente Juan Manuel de Rosas não pensava
o mesmo.
Lanzani: Acredito que Rosas toma essa decisão como uma
demonstração de seu poder em um momento político complicado. E eles é que
sofreram.
- Alguma vez viveram um paixão como a de Camila e Ladislao?
Pérez: Sim, mas
não tanto...
Lanzani: Sim, claro. Eu trato de não pensar tanto quando me
apaixono. Sou mais de colocar o coração, prefiro me jogar mesmo que depois eu
sofra, melhor que ficar com a dúvida.
Pérez: Eu já me joguei por amor alguma vez, mas ainda não sinto
que tenha vivido uma história tão forte. Me jogaria por amor, mas não acredito
que chegaria a dar a vida. Isso, hoje em dia, já não acontece.
Lanzani: É que eles não tiveram opção, foram levados a isso.
Pérez: Quando os dois estão presos, se queixam de que não
fizeram nada mal, é tremendo.
Lanzani: Eu sinto que ele tinha tanto para dizer e podia fazer
tão pouco nesse momento final...
Pérez: O melhor é que morreram juntos, porque se algum dos dois
tivesse ficado vivo, teria sido horrível a vida para aquele que ficasse.
- É uma história como
a de Romeu e Julieta.
Pérez: É que para mim, é a história de Romeu e Julieta.
Lanzani: Sim, totalmente, mas neste caso é mais forte porque
não é literatura.
- As histórias de
amor com finais felizes não costumam transcender.
Lanzani: É que quando vemos uma história assim, ela te pega,
e você se pergunta sobre sua própria história. Me encantou que o diretor Fabian
Núñez tenha colocado textos reais que encontrou durante sua investigação. Isso pega
mais ainda. A história é muito forte, mas ela é colocada cuidadosamente, não há
golpes baixos.
- Vocês são seguidos
pelo público adolescente, como acreditam que vão receber essa história?
Pérez: Para mim está ótimo, primeiro que se somem ao teatro
musical e, desta vez, ao teatro com história, feita desta maneira, divertida,
com um elenco genial. Acredito que vão gostar porque os protagonistas são quase
adolescentes e ainda que sejam de outra época, o amor é universal e atemporal.
Lanzani: Concordo. Além disso, muitas garotas me escrevem pelo
Twitter me contando que se chamam Camila por causa do filme.
- É inevitável pensar
no filme, esse antecedente pesa?
Pérez: O filme me pareceu espetacular e Susú Pecoraro, uma
gênia. Mas sinto mais responsabilidade pela Camila real.

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